13 de agosto de 2011

A arborização do Bairro Jabotiana

Aspecto da arborização da Praça Principal dos conjuntos Sol Nascente/JK

Arborização, neste artigo, é o conjunto das áreas verdes de uso público na área urbana. Ou seja, árvores plantadas em calçadas e canteiros de avenidas, parques e praças.
A arborização é de importância vital para as cidades, pois evita a formação de “ilhas de calor”, climatizando o ambiente, diminui a poluição, reduz o barulho urbano, melhora a qualidade do ar, embeleza e proporciona espaços de lazer.
Em uma eleição na revista Reader’s Digest, entre 140 países pesquisados, a Finlândia foi considerado o país mais arborizado do mundo. O Brasil ficou na 40ª colocação, abaixo de quase todos os países da Europa. Enquanto Estocolmo, capital da Suécia, foi eleita a cidade mais arborizada do planeta, das 72 pesquisadas. Curitiba é a 54ª e Pequim (China) a última colocada [ “Finlândia é o país mais ‘verde’ do mundo; Brasil é o 40º”. Folha de São Paulo. 20 set. 2007. Caderno Ambiente ].
Por enquanto, o Jabotiana é “o último bairro verde de Aracaju”, apesar do avanço descontrolado da construção civil, contando com milhares de domicílios em dezenas de novos condomínios, impermeabilizando o solo, aumentando a produção de dejetos líquidos e devastando a vegetação original.
Mesmo assim, ainda possui uma paisagem privilegiada. É banhado pelo rio Poxim, por riachos afluentes a esse e por duas lagoas: Areal (ou Jabotiana) e Doce. Possui manguezais exuberantes nas margens desses corpos d’água, mata atlântica nas margens da estrada de acesso ao povoado Aloque, matagais, vegetação aquática nos brejos, colinas de barreiros vermelhos, além de sítios de coqueiros e pomares de mangueiras.
Mesmo na malha urbana (avenidas, ruas e praças), o verde destaca-se na paisagem. Em um único canteiro da rua João Leal Soares (Antiga Rua 43), em um dos trechos da divisão entre os conjuntos Sol Nascente e JK, próximo à Escola Estadual Joaquim Vieira Sobral, existe 24 árvores; na minúscula Praça Ariel Rabelo, entre a  avenida Cezartina Régis e o condomínio Belo Horizonte são 10 árvores; nos canteiros daquela avenida, de aproximadamente 800 metros de extensão, da praça Ariel Rabelo até próximo à ponte que une os conjuntos Sol Nascente/JK ao Santa Lúcia, são 110 árvores plantadas; na praça José Atanásio do Nascimento, no conjunto Sol Nascente, entre as ruas Major João Teles e Patrulheiro G. de Andrade, são 34 vegetais superiores; a grande praça dos conjuntos Sol Nascente/JK, apesar da existência de um grande número de construções dentro do seu perímetro: a sede da associação de moradores, o complexo da sede paroquial, uma quadra poliesportiva, um campo de futebol de areia, seis quiosques, um restaurante, um caramanchão de concreto (sem plantas) e calçadas e passeios exageradamente largos, existem mais de 140 árvores entre adultas e pequenas (não contamos os arbustos: vegetais que não ultrapassam dois metros de altura); no canteiro central da avenida João Ouro estão plantados 24 coqueiros; a nova praça Antônio Teixeira, paralela à avenida João Ouro ao norte do Sol Nascente, construída pela Norcon na entrada dos condomínios Canto Belo e Reserva das Flores, entre árvores e palmeiras existem nove; na margem direita do rio Poxim, no conjunto Santa Lúcia, na praça Iselte Fernandes Azevedo, são 172 árvores; na Praça Principal (da Igreja de Santa Lúcia), estão plantadas 50 árvores; nos canteiros que margeiam o canal  da avenida Cel. Sizino da Rocha  elas são 131. No geral, a arborização das praças e canteiros do Jabotiana ultrapassa o número expressivo de 700 exemplares.
As espécies mais comuns da arborização daquele bairro são: amêndoa, mata-fome, mangueira, fícus, aroeira, cajueiro, eucalipto, nim, flamboyant, pinheiro casuarina, e várias espécies de palmeiras, principalmente o  coqueiro (que a Botânica não considera árvores). 
Como vivemos no país dos contrastes, aquela área da zona oeste de Aracaju não é diferente. Em determinados condomínios, com milhares de metros quadrados construídos, praticamente não existem áreas verdes, não obstante os mesmos terem nomes “ambientalmente corretos”. Você mesmo, caro leitor, pode tirar suas conclusões observando imagens de satélite da zona oeste de Aracaju na internet (Google Earth). Na comunidade Largo da Aparecida, não existe uma única praça, logo, nenhuma árvore em espaço público.
Concluímos que o Jabotiana é um bairro bem arborizado, fazendo jus ao jargão “o último bairro verde de Aracaju”. Citamos alguns fatores que favorecem essa tendência: a manutenção de vários exemplares arbóreos nativos da área quando da construção dos conjuntos residenciais Sol Nascente, JK e Santa Lúcia; o desenvolvimento do projeto educativo/afirmativo “Construíndo uma Jabotiana Saudável” da USF “Manoel de Souza Pereira”; o trabalho didático conscientizador das escolas públicas e privadas; a iniciativa de alguns moradores em plantarem ou adotarem árvores nos logradouros citados; a política de arborização da Prefeitura de Aracaju; o trabalho intransigente da Sociedade Jabotiana Viva (movimento ambientalista) na preservação daquelas áreas verdes urbanas e naturais.
A qualidade de vida de um bairro ou de uma cidade, passa necessariamente pelo esforço e pela prática cidadã de muitos atores sociais. Que o exemplo exposto aqui, sirva de modelo e de inspiração. Mas não nos iludamos, as ameaças ao verde exuberante e às águas do Bairro Jabotiana é um “fantasma” que ronda dia e noite.
Aspecto da arborização da pç. Iselte Fernandes Azevedo no conjunto Santa Lúcia

Aspecto da arborização dos canteiros da av. Cel. Sizino da Rocha no conjunto Santa Lúcia






26 de julho de 2011

Levantamento dos Problemas Ambientais do Bairro Jabotiana e Propostas de Desenvolvimento Ordenado

Participantes da Reunião Pública debatendo os problemas ambientais do Bairro Jabotiana

             No dia 22 de julho de 2011 as 9 horas, no Salão Paroquial da Igreja Sagrada Família, localizado na praça Principal dos conjunto Sol Nascente/JK, aconteceu uma Reunião Pública com o tema “Levantamento dos Problemas Ambientais do Bairro Jabotiana e Propostas de Desenvolvimento Ordenado”.  A iniciativa da realização do evento foi da Justiça Federal e do Conselho das Associações de Moradores da Zona de Expansão de Aracaju.       
A Reunião Pública foi articulada e organizada pelo Conselho Diretor da Sociedade Jabotiana Viva e conduzida por Karina Drummond, presidenta do Conselho das Associações de Moradores da Zona de Expansão. Participaram do evento, além dos citados acima, alguns membros do Conselho Local de Saúde, agentes da USF “Manoel de Souza Pereira”, membros da Diretoria do Forum de Defesa da Grande Aracaju - FDGA, estudantes universitárias, um representante do Movimento Popular Ecológico – MOPEC, outro da Associação de Moradores dos Conjuntos Sol Nascente/JK e alguns moradores do Bairro Jabotiana - BJ, totalizando 28 pessoas.
            Vários participantes fizeram uso da palavra e enfatizaram os problemas ambientais do Bairro Jabotiana, a exemplo das enchentes agravadas pela devastação das matas ciliares do rio Poxim e de seus afluentes, além do crescimento descontrolado da construção civil, aumentando as áreas de solo impermeável e aterrando antigas vazantes daquele rio, tendo como consequência diminuição da qualidade de vida dos moradores através do encolhimento das áreas verdes e da intensificação do trânsito. Membros do Conselho Diretor da Sociedade Jabotiana Viva informaram que fizeram denuncias sobre crimes ambientais ocorridos no BJ à Delegacia do Meio Ambiente, ao Pelotão de Polícia Ambiental da PM, ao MP Estadual e nos meios de comunicação social, além de terem transmitido informações sobre futuros empreendimentos imobiliários no BJ e adjacências. Diretores do FDGA defenderam que as construtoras e as imobiliárias só pensam exclusivamente no lucro e não no meio ambiente e nos moradores, incluindo os residentes em seus condomínios. Ainda argumentaram que as entidades do bairro citado devem acompanhar e proporem sobre a reforma do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Aracaju - PDDU, pois sem a mobilização popular, o novo PDDU poderá beneficiar os interesses do capital e acelerar o caos urbano em Aracaju. Funcionárias da USF “Manoel de Souza Pereira” discorreram sobre ações educativas e afirmativas do projeto “Construindo uma Jabotiana Saudável”, que está completando 10 anos de atividades, além de terem acrescentado informações sobre os problemas ambientais do BJ.
            A Reunião Pública foi concluída com a palavra de Karina Drummond, que disse está muito feliz com a realização do evento e seguida apresentou as seguintes propostas: A criação de um conselho de meio ambiente e desenvolvimento ordenado para o BJ, com visão ampla no entendimento da problemática ambiental, envolvendo saúde, educação, segurança, trânsito, entre outros aspectos; o referido conselho deverá encaminhar os problemas ambientais em nível judicial, via Ministério Público Federal e Ação Civil Pública; deverá ter força política, comprometendo a Câmara Municipal de Aracaju e a Assembléia Legislativa; articular-se em bloco com a Associação da Zona de Expansão objetivando ações conjuntas; possuir um perfil de independência com relação ao poderes político e econômico; ter como uma das bandeiras de luta a criação de uma secretaria municipal de meio ambiente atuante.
            As propostas foram enriquecidas e aprovas pelos presentes que, em seguida, marcaram a próxima reunião para o dia 12 de agosto (uma sexta feira) no mesmo horário e local, quando darão os encaminhamentos das propostas apresentadas.

30 de maio de 2011

As águas de maio no Bairro Jabotiana

O canal e as pistas da avenida Cel. Sizino da Rocha, no Santa Lúcia, completamente alagados

Em um único dia, 24 de maio, as chuvas torrenciais que caíram sobre Aracaju, foram na média para aquele mês inteiro. O aguaceiro causou transtornos enormes e por toda a parte.
            No Bairro Jabotiana o efeito foi retardado, em função das fortes chuvas terem caído também no interior, na área geográfica da sub-bacia do rio Poxim, nos municípios de Areia Branca, Itaporanga, São Cristóvão e Socorro. O volume de água excessivo foi trazido pelo leito do rio na madrugada e na manhã seguinte(dia 25). O Poxim transbordou e invadiu avenidas, ruas, casas e terrenos das áreas mais baixas dos conjuntos residenciais Sol Nascente, JK e Santa Lúcia, além de ter mantido “ilhados” vários condomínios. Enquanto na maior parte da cidade a água foi drenada em poucas horas, o Jabotiana ficou inundado até a quinta feira (26 de maio).
            É verdade que ninguém por aqui é culpado pelas chuvas em excesso, por se tratar de um fenômeno de alteração climática no Atlântico e na atmosfera. Não se tinha como evitar a enchente, contudo, seus efeitos poderiam ter sido minimizados, se não ocorresse tantas agressões ao meio ambiente natural no bairro citado, que se tornou uma segunda zona de expansão da cidade, com a construção civil avançando célere e descontrolada na direção do município de São Cristóvão.
Em outros artigos neste blog [jabotianaviva.blogspot.com] e na imprensa local, já fizemos alertas sobre os fatores potencializadores de enchentes no Bairro Jabotiana: a devastação dos manguezais ciliares do Poxim; o aumento do despejo de resíduos líquidos (água de esgotos) no rio; os aterros gigantescos dos alagadiços para onde as águas em excesso vazavam; depósitos clandestinos e criminosos de cascalho; e a impermeabilização gigantesca do solo com concreto, paralelepípedo e asfalto.
De 2007 para cá foram construídos e inaugurados dezenas de condomínios de casas e prédios no Jabotiana e nas proximidades, em um estilo de construção civil predador, que não respeita o meio ambiente natural do “último bairro verde de Aracaju”. Agora em 2011, não deu outra. Como em todos os anos anteriores: mais uma enchente.
            Neste episódio das águas de maio, Assistimos moradores apreensivos, na iminência de verem suas residências invadidas pelas águas, outros aflitos, por suas casas já estarem alagadas na madrugada angustiante de 24 para 25 de maio. 
A seguir, alguns depoimentos dolorosos de moradores nas conversas de esquina: “Não agüento mais trocar os móveis e equipamentos de minha casa”; “Minha mulher quer ir embora daqui”; “Saí de casa, de madrugada, carregando minha filha de 15 anos nos ombros e deixei tudo para trás”; “É horrível acordar de madrugada com a água invadindo a sua casa”; “Já tomei vários banhos hoje e ainda estou fedendo a esgoto”.
            Assistimos caminhões guinchos transportando vários carros para oficinas com os motores “engasgados” pela água.
A Escola Estadual “Manoel Franco Freire” (no Conjunto JK) talvez seja a unidade de ensino sergipana que mais sofreu enchentes e teve que deixar, mais uma vez, suas centenas de alunos sem aula, por causa do problema.
            Quando as águas baixaram na quinta feira, o problema não acabou. A lama mal cheirosa cobria tudo: ruas, calçadas e as residências. Temos que levar em conta os efeitos “invisíveis” em médio prazo, a exemplo de doenças de pele, de contaminações por ações de bactérias e fungos agressivos, entre outros perigos à saúde humana.
            A previsão meteorológica não é animadora: neste inverno poderá chover no litoral sergipano, Aracaju no meio, 45% a mais que a média histórica.
            Caros leitores, como a ironia é a defesa dos fracos, temos uma sugestão: comecemos a pensar na compra de canoas, lanchas e caiaques como meios de transportes alternativos.
            Falando sério. O poder público precisa promover políticas sustentáveis enérgicas e decisivas no Bairro Jabotiana, não obstante à pressão dos interesses econômicos de uma minoria que destroi coisas belas. Ou pagarão o preço da incredibilidade geral.

Rua Antônio Dorea da Silva invadida pelas águas do Poxim no Conjunto JK


Ruas de acesso aos novos condomínios ao oeste do Conjunto Santa Lúcia, tomadas pela água




21 de maio de 2011

A Audiência Pública do MP no Bairro Jabotiana

Diretores da Sociedade Jabotiana Viva conferenciando com o procurador Gilton Feitosa

O dia 20 de maio de 2011 foi histórico para o Bairro Jabotiana - BJ. Ali foi realizado o 1º Censo Social do Ministério Público do Estado de Sergipe e uma Audiência Pública com os procuradores. O evento aconteceu na EE “Manoel Franco Freire” (Conjunto JK).
            A solenidade de abertura do evento, promovido pelo MP Estadual, contou com a participação de diversas autoridades, lideranças e moradores do BJ. A Sociedade Jabotiana Viva esteve representada pelo presidente Jorge Moreira e pelo secretário Antônio Wanderley.
Durante a Audiência Pública, os dois diretores foram recebidos pelo procurador do Meio Ambiente Gilton Feitosa. Eles relataram as agressões ao meio ambiente no BJ, dando destaque ao crescimento descontrolado e predador da construção civil; as agressões e devastações aos manguezais e à mata atlântica das margens da estrada do Aloque; à poluição e enchentes do rio Poxim; aos incêndios provocados por pessoas inescrupulosas; aos aterros e depósitos de cascalho criminosos nas áreas verdes e nas águas (rio Poxim,  lagoa Jabotiana ou Areal e  lagoa Doce), entre outros.
Informaram também sobre os trabalhos e denúncias que realizaram nos últimos anos e sobre o Projeto “Construindo uma Jabotiana Saudável” realizado pela USF “Manoel de Souza Pereira”. Finalizaram entregando um dossiê ao procurador, contendo todas as edições do nosso informativo impresso “Jabotiana Viva”, recortes de artigos e reportagens denúncias, e cópias de documentos oficiais, além de um CD com mais de 600 fotos registrando os problemas ambientais sofridos pelo bairro.
            O procurador Gilton Feitosa falou que estava ciente de algumas dessas agressões, que conhecia bem o BJ, pois já fora morador do conjunto JK, e que achou muito importante o mesmo possuir movimento ambientalista. Lamentou o fato de a PMA não possuir um órgão ambientalista. Informou que vem tendo sucessivas reuniões com o secretário do Meio Ambiente Genival Nunes e revelou que ambos estão muito preocupados com os problemas ambientais do BJ. Por fim apresentou uma lista longa de denúncias, encaminhamentos e de ações do MP Estadual do Meio Ambiente junto a órgãos públicos, empresas e instituições que atuam no bairro.
            A Audiência terminou com trocas de contatos, num clima de extrema cordialidade e de sinceridade de ambas as partes.
            No entendimento do nosso Conselho Diretor, a ocorrência do 1º Censo Social e da Audiência Pública in loco no BJ, é uma consequência de todo um trabalho realizado por instituições e pessoas comprometidas com a cidadania e a verdadeira qualidade de vida no bairro, as freqüentes denuncias dos meios de comunicação social e as características ímpares do “último bairro verde de Aracaju”. Situações que sensibilizaram a instituição encarregada da defesa da legalidade e dos interesses do povo sergipano.
            Contatos do MP Estadual do Meio Ambiente. Fone: 3216 2400; e-mail: meioambiente@mp.se.gov.br

Aspecto da área externa da EE “Manoel Franco Freire” onde aconteceu a Audiência Pública


13 de maio de 2011

Dia do Rio Poxim

 Trecho do Rio Poxim no Bairro Jabotiana

A Câmara Municipal de Aracaju promulgou a Lei 4008 em 20 de janeiro de 2011 e sancionada pelo Executivo Municipal. O Projeto foi autoria do vereador Dr. Emerson, que inclui no Calendário Oficial do Município de Aracaju o Dia Municipal em Defesa da Sub-bacia do Rio Poxim no Território de Aracaju.
A iniciativa daquele parlamentar municipal foi apoiada pelo Conselho Local de Saúde do Bairro Jabotiana, na sua reunião ordinária de 24 de setembro de 2010.
A justificativa do Projeto foi a seguinte: “A tendência mundial é a preocupação com o meio ambiente. O controle da poluição e outras agressões  aos rios vem sendo discutido nos movimentos sociais (Projeto Construindo uma  Jabotiana Saudável), como também, nas políticas públicas. Visa este projeto estabelecer o Dia Municipal em Defesa da Sub-bacia do Rio Poxim na Área do Município de Aracaju, motivo pelo qual esperamos contar com o apoio dos nobres vereadores para aprovação da matéria”.
            A Lei determina que a data comemorativa em Defesa do Rio Poxim será sempre na terceira sexta feira de novembro de cada ano. A escolha desse dia foi em decorrência da IX Caminhada Ecológica do Bairro Jabotiana (drenado pelo rio Poxim), o maior evento ambientalista comunitário de Aracaju. A Caminhada é a culminância anual do projeto “Construindo uma Jabotiana Saudável” da USF “Manoel de Souza Pereira”.
            Uma vez instituído o Dia Municipal em Defesa da Sub-bacia do Rio Poxim, a municipalidade se compromete oficialmente em apoiar eventos e projetos que venham a promover a preservação do meio ambiente natural daquela sub-bacia, no território do município de Aracaju.





23 de abril de 2011

Caracterização do Bairro Jabotiana


Localização
            O Bairro Jabotiana - BJ localiza-se na zona oeste de Aracaju. Seus limites são: ao norte a avenida Marechal Rondon(limite com o Bairro Capucho); ao sul o canal Grageru, o rio Poxim e a ferrovia(limite com os bairros Inácio Barbosa e São Conrado) ; ao oeste a linha imaginária da fronteira com o município de São Cristóvão; a leste a avenida Tancredo Neves (limite com os bairros América e Ponto Novo).

Comunidades
Conjuntos residenciais Sol Nascente, JK e Santa Lúcia (e anexos); Comunidades Rua Estrada da Jabotiana ou “Jabotianinha” e Largo da Aparecida; Loteamento Jardim dos Coqueiros (margem esquerda da estrada do Aloque).
Condomínios da margem esquerda (leste) do rio Poxim: Belo Horizonte (contiguo ao conjunto Sol Nascente); Canto Belo, Reserva das Flores, Parque das Serras e Encantos do Bosque (avenida João Ouro – norte do Sol Nascente).
Condomínios da margem direita (oeste) do rio Poxim: do PAR (Vila Vitória, Vila Velha, Bela Vista, Santa Fé); Residencial Rio Poxim, José Rosa de Oliveira e Montserrat.
Condomínios ao oeste do conjunto Santa Lúcia: Residencial Vitória Régia, Resd. Santa Lúcia, Resd. Terra do Sol, Parque das Fontes e Villa Viver.
Condomínios (em construção) paralelos à avenida Tancredo Neves, entre o Largo da Aparecida e a Faculdade Pio X.
Das adjacências (no Município de São Cristóvão): Povoado Aloque e Loteamento Parque das Mangueiras.

População
            De acordo com o Censo do IBGE, em 1991, a população do BJ era de 7.051 pessoas, sendo 3.374 homens e 3.677 mulheres. Em 2000, a população era de 9.713 pessoas, sendo 4.600 homens e 5.113 mulheres. O número de domicílios particulares era de 2.315. O IBGE ainda não disponibilizou dados populacionais do Censo 2010, das capitais, por bairros em seu site.

Ocorrências Naturais - Águas
Rios: Poxim e Pitanga; Riachos: Xoxota, Grageru e Samambaia;
Lagoas: Doce e Areal;
Brejos e alagadiços do oeste do conjunto Santa Lúcia; do Loteamento Jardim dos Coqueiros; do Loteamento Parque das Mangueiras

Ocorrências Naturais - Vegetação
Manguezal do vale do rio Poxim, de seus riachos afluentes e do entorno da Lagoa Jabotiana ou Areal;
Mata Atlântica das margens da estrada do Povoado Aloque;
Vegetação aquática dos brejos e alagadiços ao noroeste do conjunto Santa Lúcia.

Fontes de pesquisa:
Slides “Jabotiana: o último bairro verde de Aracaju” produzido pelo Conselho Diretor da Sociedade Jabotiana Viva.
Aracaju: Mapa Municipal Oficial. Aracaju: SEPLAN/Prefeitura Municipal de Aracaju, 2004.
Maps/Google – 2010.
IBGE, 2010.


22 de março de 2011

A fauna do Bairro Jabotiana

Saguim no manguezal do Canal Grageru no Bairro Jabotiana

            Aracaju já possui áreas extensas de urbanização sufocante, entretanto, na zona oeste do município, mais precisamente no Bairro Jabotiana, o “ultimo bairro verde de Aracaju”, há várias ocorrências de corpos d’água: o rio Poxim, riachos afluentes e duas lagoas. E onde existem águas, também ocorre vegetação, os seguintes biomas: manguezal, mata atlântica e a flora aquática dos brejos ou alagadiços.
Essas ocorrências naturais guardam uma rica fauna, apesar da gradativa extinção em função do avanço descontrolado da construção civil predadora.
            Fauna é o termo coletivo para a vida animal de uma determinada região ou período de tempo. Coleção de animais tipicamente encontrada em um período específico ou lugar, a exemplo de “Fauna da Caatinga”.
Mamíferos e répteis de várias espécies, além de pássaros, existem em profusão nos manguezais das margens do rio Poxim, do canal Grageru e de outros afluentes daquele rio, e da Lagoa do Areal (antiga Lagoa Jabotiana) e na mata atlântica remanescente entre o conjunto Santa Lúcia e o povoado Aloque: são cutias, raposas, saruês, sagüins, teiús, camaleões, cobras verdes, cágados d’água, corujas, morcegos, várias espécies de pássaros, peixes e crustáceos.
Vigilantes noturnos, que percorrem as ruas marginais dos conjuntos residenciais Sol Nascente, JK e Santa Lúcia nas altas horas da madrugada, vêem raposas e saruês, saírem dos manguezais do rio Poxim e do canal Grageru e ganharem as ruas na busca por alimentos.
Moradores do povoado Aloque que estudam ou trabalham em Aracaju e trafegam à noite, a pé ou de bicicleta, pela estrada de acesso àquela comunidade, nos informam que cruzam com raposas, guaxinins e cutias com muita freqüência.
Antigos pescadores nos falaram da existência de camarão, siri, caranguejo, tilápia, tainha e bagre em abundância nas águas do Poxim e de seus “canais” afluentes. Hoje essas espécies são raras naqueles corpos d’água. Ocorrendo com mais frequência apenas o bagre e o goré.  
No rio Pitanga, afluente do Poxim, habitantes do Aloque ainda pescam xaréu, piau, carapeba, robalo, tilápia e camarão, entre outras espécies.
Moradores antigos da Rua Jabotianinha, a mais antiga comunidade do bairro, lembram que, na Lagoa Jabotiana ou Lagoa do Areal já existiu jacarés.
Até o início do século passado, existia ali uma localidade denominada “Mondé da Onça”, próxima da linha imaginária divisória dos municípios de Aracaju/São Cristóvão, em algum ponto entre a Colina do Reservatório R6 da DESO e a Lagoa Jabotianal [ ver BARRETO, Luiz Antônio. Dicionário de Nomes e Denominações de Aracaju. Aracaju,2002. Pgs 166 e 173 ]. Mondé é um topônimo de origem tupi que significa escondirijo, toca. Designando, portanto, uma toca de onça.
Moradores do conjunto Santa Lúcia nos lembram que, em 2007 quando da devastação da vegetação e das árvores frutíferas dos terrenos alagadiços ao noroeste daquele conjunto, para a feitura do aterro para a construção dos condomínios Residencial Vitória Régia, Santa Lúcia, Terra do Sol e Parque das Fontes, muitos pássaros e sagüins “invadiram” as residências daquela comunidade, principalmente as que possuíam árvores frondosas.
A extinção da fauna original naquela área é gradual, motivada pelos seguintes fatores: poluição do rio Poxim e dos seus afluentes, devastação dos manguezais em função do avanço descontrolado da construção civil e o encolhimento da mata atlântica do entorno do povoado Aloque.
O que restou da fauna original dos matagais e matas, em meio ao desespero da sobrevivência, migrou para os manguezais, um novo habitat que não era característico de várias espécies, que tiveram que se adaptar.
Várias espécies de pássaros tiveram comportamento semelhante. Com o crescimento acelerado da malha urbana no Bairro Jabotiana, tentam sobreviver no ambiente humano, ou seja, nas árvores das praças, dos canteiros das avenidas e dos jardins e quintais das residências. Daí assistirmos a presença constante de rolinhas, pardais, beija-flores, bem-te-vis, lavandeiras, quero-queros e corujas, além de morcegos, povoando a cidade.
Para que todas essas manifestações da natureza não se transformem e simples memórias do passado no futuro próximo, concluímos com a sugestão de sempre: a criação de uma reserva ou parque ecológico estadual delimitando claramente as áreas a serem preservadas e com as funções de preservação, pesquisa, educação e lazer.

Artigo do nosso Primeiro Secretário Antônio Wanderley publicado no Jornal do Dia (Aracaju) em 16 mar. 2011.