16 de fevereiro de 2013
O avanço imobiliário no Bairro Jabotiana
A
Lagoa do Areal no Bairro Jabotiana em 2007
Desde 2007, o Bairro Jabotiana
vem sofrendo um acelerado crescimento imobiliário. Principalmente após os
impedimentos na Zona de Expansão. Os olhos ávidos das construtoras se voltaram,
do sul, para o oeste de Aracaju. E como na Zona de Expansão, o crescimento
imobiliário ocorre sem a infraestrutura adequada e sem levar em conta o impacto
sobre o ambiente natural e a vizinhança pré existente.
Atualmente são dezenas de
condomínios, seja na margem esquerda do rio Poxim, nas proximidades dos
conjuntos residenciais Sol Nascente e JK, seja na sua margem direita, nas
imediações do conjunto Santa Lúcia, se estendendo para o oeste além da
fronteira com o município de São Cristóvão.
Empreendimentos
aprovados sem relatórios prévios de impacto de vizinhança e impacto ambiental,
como determina o Estatuto das Cidades (Lei 10.257/2001).
Apesar de esses condomínios terem
nomes poéticos, de exaltação à natureza, ironicamente, seus projetos arquitetônicos
são quase completamente destituídos de preocupação ambiental. O impacto
negativo sobre o verde e as águas daquela área é muito grande como informaremos
mais adiante. Assim, os próprios condôminos (os clientes das construtoras) e a
população do entorno, já vem sofrendo as consequências deste avanço acelerado.
Um crescimento imobiliário predador, no que se refere ao meio ambiente natural
que ainda teima em existir.
Nas proximidades dos canteiros de
obra, são vários os problemas para as comunidades preexistentes: rachaduras nas
paredes e tetos das casas em função da ação dos bate-estacas, comprometendo a
estrutura da residência e a integridade física, e porque não dizer, a vida de
seus moradores; intensificação do trânsito pesado de caçambas, caminhões, betoneiras,
motoniveladoras e escavadeiras estraçalhado o asfalto das ruas e espalhando
poeira e barulho, comprometendo a tranquilidade e a saúde das pessoas.
O crescimento privilegia os interesses do
capital imobiliário, em detrimento da qualidade de vida das comunidades e do
ambiente natural. Resultando na devastação do verde, impermeabilização do solo,
aumento da temperatura em função da insolação inclemente devido à falta de
vegetação climatizante, aumento da vazão de dejetos líquidos (esgotos) para o
Rio Poxim, além de gigantescos aterros das áreas de vazantes daquele rio, que
contribuíam para minimizar as enchentes naquele trecho estuarino. Até 2008,
havia dez anos que não ocorria enchentes ali. A partir daquele ano até o
presente, foram três.
É facilmente percebida a falta de
ordenamento, de planejamento urbano. Condomínios de blocos de quatro andares,
próximos de futuros condomínios de torres de 16 andares em espaços exíguos, com
vias de acessos insuficientes, implicando na inviabilidade da mobilidade
urbana, ou seja, no ir e vir das pessoas ao trabalho, à escola, ao lazer e na
busca por serviços fora do bairro. Aquela zona cresce sem inteligência, tocada
pelos interesses imediatos (e insanos) do capital.
O
déficit de áreas verdes influencia negativamente o microclima do bairro e da
cidade. A ampliação rápida e avassaladora de áreas permeáveis em Aracaju contradiz
a tradição de “cidade jardim” e põe em xeque o título de “a capital da
qualidade de vida”. Os urbanistas e engenheiros florestais recomendam que as
cidades devam possuir, pelo menos, 30% de seu solo urbano permeável e com
vegetação (árvores, arbustos e grama). Se depender do mercado imobiliário, a
cidade deverá ser um imenso mosaico cinzento, uma selva de pedra colossal, mais
quente e suscetível a enchentes, mais monótona, feia, barulhenta e estressante.
Tudo em nome do lucro rápido e imenso.
O BJ é
a área de expansão da Zona Oeste de Aracaju. É o bairro com um dos maiores
crescimento populacional da capital, muito acima do crescimento vegetativo
calculado pelo IBGE de 2% ao ano. Segundo a EMURB, de 2007 a 2011, surgiram
2000 novos domicílios no BJ e adjacências, ou seja, de seis a oito mil moradores
a mais em curto espaço de tempo, provocando problemas óbvios de intensificação
do trânsito, poluição sonora, entre outros apresentados. Contribuindo assim, para o caos urbano,
perdendo rapidamente a condição de “O último bairro verde de Aracaju”,
aprazível e altamente comunitário, onde “todos se conhecem”, onde as pessoas
interagem.
A
mudança é notória: milhares de pessoas vivendo fechadas, encaixotadas em
prédios de apartamentos, vizinhos que não se conhecem, que não trocam sorrisos
e amabilidades, que não trocam nem um “bom dia”, favorecendo o aumento do
individualismo e da solidão.
A
Lagoa do Areal em 2010
A Lagoa do Areal em
2012
27 de janeiro de 2013
Carta às(aos) vereadoras(es) da 42ª Legislatura de Aracaju. Aracaju, 1º. de janeiro de 2013.
Militantes
do Fórum de Defesa da Grande Aracaju entregando o documento
ao vereador Iran Barbosa
Senhores vereadores e
senhoras vereadoras,
O Fórum
em Defesa da Grande Aracaju parabeniza pela eleição e pela posse e vem tratar
de um dos temas mais importantes que cada vereador(a) de Aracaju deverá tratar:
o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Sustentável (PDDUS).
A
legislatura que se encerrou no dia de ontem deixa uma marca negativa quando o
assunto é Plano Diretor. Votaram de forma equivocada por diversas vezes. A
Sociedade, a Justiça e quatro dos vereadores do período que se encerrou vêm
dizendo e comprovando que não é assim que se vota um Plano Diretor
verdadeiramente sustentável.
As
emendas populares foram quase todas rejeitadas e as propostas das construtoras
absorvidas e aprovadas. O Plano Diretor para os próximos dez anos ficaria muito
pior do que este que atualmente vigora.
Por
sorte a Justiça já analisou o assunto por três vezes e sempre a população vem
obtendo vitórias contra o comportamento estranho da maioria dos vereadores.
Nós do
Fórum em Defesa da Grande Aracaju não vamos descansar enquanto não vermos um
Plano Diretor, assim os códigos complementares, aprovado de forma séria,
responsável e com um olhar sobre toda a cidade, sobre todos os segmentos.
Antes
das eleições do dia 07 de outubro denunciamos nos terminais de integração a
forma descompromissada como alguns vereadores estavam votando o Plano Diretor.
Resultado: muitos deles não conseguiram a reeleição.
Vamos continuar
usando todos os meios amigáveis ou não para cobrar decência, seriedade,
compromisso e responsabilidade no exercício do mandato popular.
Vamos
exaltar e destacar aqueles que, mesmo votando contra propostas populares, sejam
sinceros e demonstrem tecnicamente porque estará votando daquela forma. E vamos
denunciar veementemente aqueles que desrespeitarem a população votando em um
Plano Diretor para beneficiar apenas às construtoras, como fizeram alguns
vereadores da legislatura que acabou no dia de ontem.
O Fórum
em Defesa da Grande Aracaju se coloca ao inteiro dispor de todos os vereadores
para dialogar sobre o Plano Diretor e sobre os códigos complementares na expectativa
de que a Câmara Municipal de Aracaju cumpra com a sua obrigação de votar um
Plano Diretor de fato participativo.
FÓRUM
EM DEFESA DA GRANDE ARACAJU.
Tenda
do Fórum de Defesa da Grande Aracaju
17 de dezembro de 2012
A Confraternização Natalina da Associação de Moradores do Sol Nascente e JK
Na noite de 15 de
dezembro de 2012, aconteceu a Confraternização Natalina da Associação dos
Moradores do Jardim Sol Nascente e JK – AMJSNJK, no espaço de eventos “Arlindo Calumby
Ferreira” na sede própria da entidade, situada na Avenida Cezartina Régis, 335,
Bairro Jabotiana.
Compareceram ao evento, além da
Diretoria (eleita em setembro) e sócios, centenas de moradores dos dois
conjuntos mais antigos do Bairro Jabotiana.
A AMJSNJK foi fundada em agosto de
1979, portanto, uma instituição social que existe há 33 anos.
A Confraternização foi animadíssima,
tendo início por volta das 22 horas. O brilhantismo da festa coube ao show de
Virginia Fontes e Banda e ao entusiasmo dos presentes. A comunidade do bairro
estava bem representada: diretores e professores das escolas públicas locais,
diretora e profissionais da USF “Manoel de Souza Pereira” e membros do Conselho
Diretor da Sociedade Jabotiana Viva. A coordenação do evento coube a Samuel
Fernandes, que leu bela crônica sobre o verdadeiro sentido do Natal, que é a
celebração da vinda de Jesus Cristo à Terra.
Na ocasião do evento, a nova
Diretoria da AMJSNJK, foi apresentada aos convidados e seu presidente Robinsom
Barroso Soares fez discurso de agradecimento à presença de todos, expôs um
breve relato sobre as ações mais significativas da entidade e sua participação
na mesma, falou que as cobranças são muitas e registrou a presença de
representantes de instituições presentes. O mandato da nova Diretoria é de 2012
a 2016.
A festa se estendeu até alta
madrugada com música de qualidade e a grande animação dos presentes.
O nosso movimento ambientalista está
encaminhado junto com a AMJSNJK, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a
empresa Recigraxe, um projeto de coleta comunitária de óleo saturado (óleo de
fritura usado) para o Bairro Jabotiana. Mais detalhes sobre o referido projeto
comuniremos daqui a algumas semanas neste blog.
O Conselho Diretor do nosso
movimento parabeniza toda a nova Diretoria da Associação, desejando amplo
sucesso no mandato.
4 de dezembro de 2012
A coleta seletiva de lixo no Bairro Jabotiana
Coleta
seletiva de lixo em Aracaju. Foto Ascom/EMSURB
A Empresa de Serviços
Urbanos/EMSURB da Prefeitura de Aracaju realiza a coleta seletiva de lixo seco
para reciclagem no Bairro Jabotiana todas as sextas feiras a partir das 13h.
Infelizmente poucos moradores participam dessa iniciativa de proteção ambientalmente.
Para participar da coleta seletiva,
basta separar o lixo seco (não orgânico) em sacolas plásticas e deixar na porta
na sexta feira. Você pode armazenar o lixo seco durante a semana, já que o
mesmo não exala mau cheiro, não proliferam insetos, ratos, fungos ou bactérias.
Assim, não oferece perigo para a saúde.
Somente coloque lixo orgânico
(úmido) nos dias da coleta normal: terça, quinta e sábado.
O lixo reciclado contribui para a
preservação da natureza, porque poupa a extração de recursos da natureza e
diminui a poluição.
São considerados materiais
recicláveis:
VIDRO: Tampas, potes, frascos, garrafas de bebidas,
copos, embalagens.
PLÁSTICO: Tampas, potes de alimentos (margarina),
frascos utilidades domésticas, embalagens de refrigerantes (garrafas pet), de
água mineral, sacos, sacolas, embalagens de produtos de limpeza.
METAL: Latas de alumínio
(ex. latas de bebida), latas de aço (ex. de óleo, de sardinha, de molho de
tomate), tampas, ferragens, canos, esquadrias e molduras de quadros.
PAPEL: Embalagens longa vida, aparas de papel,
jornais, revistas, caixas, papelão, formulários de computados, folhas de
caderno, cartolina, cartões, rascunhos escritos, envelopes, fotocópias,
folhetos, impressos em geral.
Atenção. Existe uma grande
quantidade de produtos de vidro, plástico, metal e papel que não pode ser reciclado. Neste caso você
faz e descarte nos dias da coleta normal em uma sacola de lixo a parte,
separada do lixo úmido.
VIDRO: Espelhos, cristal,
ampolas de medicamentos, cerâmica e louças, lâmpadas, vidros temperados planos.
PLÁSTICO: Cabos de
panelas, tomadas, embalagens metalizadas, isopor, adesivo, espuma.
METAL: Clipes, grampos, esponjas de aço, latas de tinta, latas de
aerosol (spray), pilas e baterias.
PAPEL: Adesivos,
etiquetas, fita crepe, papel carbono, fotografia, papel toalha, papel
higiênico, papéis e guardanapos engordurados, papéis metalizados, parafinados,
plastificados.
Para mais informações sobre a coleta
seletiva ligue para 3179 7001.
10 de novembro de 2012
A 11ª Caminhada Ecológica do Bairro Jabotiana: A maior manifestação ambientalista de Aracaju
Na concentração: expectativa
e ansiedade
A Caminhada Ecológica do Bairro
Jabotiana se afirmou como a maior manifestação ambientalista de Aracaju, quiçá
de Sergipe. O evento vem sendo organizado pela iniciativa dos profissionais
técnicos e agentes de saúde da USF “Manoel de Souza Pereira”, como a
culminância do projeto “Construindo uma Jabotiana Saudável”, contando com ampla
adesão da comunidade local.
A 11ª edição da
Caminhada aconteceu na manhã primaveril de 09 de novembro pelas ruas do
Jabotiana, “o último bairro verde da capital sergipana”. Segundo os
organizadores, foi a maior de todas, superando inclusive a de 2009. Mais de mil
pessoas participaram com alegria e disposição incontida. O sorriso e a
dignidade estavam no semblante de todos: crianças, adolescentes, jovens, homens
e mulheres adultos e idosos.
A Caminhada saiu da Rua
15, em frente à praça da Igreja Católica do Conjunto Santa Lúcia às 8h10,
animada pelo som do mini-trio e da banda de percussão de uma das escolas
presentes. As músicas de cunho ambiental, o colorido das fantasias, faixas e
cartazes foram contagiantes. O sol ameno, algumas nuvens e até uma chuvinha no
início, deram luz bendita e refrigério para todos. Nas calçadas, os mais
recatados acenavam, tiravam fotos e aplaudiam a multidão feliz que passava e
dançava.
Apesar da empolgação
natural, os que participaram da 11ª Caminhada Ecológica, tinham um propósito
sério e decidido: que no seu bairro, não seja deteriorada a qualidade de vida,
a partir da preservação do ambiente natural que ainda resta. Um repúdio também
aos que poluem e devastam e aos que permitem a poluição e a devastação das suas
águas e do seu verde. Propósito este, expressado nas falas e na faixas: “Salve
o Rio Poxim”, “Valorize a natureza, o Rio Poxim agradece”, “Diga não à
poluição”, “Proteja as nossas árvores”, “Poxim amado e querido, não pode ser poluído”,
“Reciclar é um ato de amor”, “Nossos manguezais precisam de você”, “Consciência
ambiental é um exercício diário, pratique!”, “Rio Poxim: Revitalização já!”,
“Quem é esperto não se engana, cuida da Jabotiana”, “Parem de destruir o verde
e as águas do Bairro Jabotiana”, entre outras.
Praticamente quase todas
as instituições públicas, entidades sociais e escolas do bairro estiveram
presentes: os profissionais de saúde do “Manoel de Souza Pereira, os membros do
Conselho Local de Saúde, funcionários das USF Madre Tereza de Calcutá (do Largo
da Aparecida) e Irmã Caridade (do Aloque), as escolas estaduais “Joaquim Vieira
Sobral” e “Manoel Franco Freire”, as escolas particulares “Pequeno Príncipe”,
“Michelangelo” e “Interativo”, o CRAS do Largo da Aparecida, o Grupo Bem Viver
de Idosos, membros do Forum de Defesa da Grande Aracaju, alguns representantes
das organizações comunitárias e o nosso movimento ambientalista Sociedade
Jabotiana Viva com o seu tradicional uniforme azul e laranja, representando,
respectivamente, as águas refletindo o céu e o sol nascente. Além de centenas
de moradores dos conjuntos residenciais, loteamentos e condomínios locais.
Vários estudantes
universitários realizaram pesquisas sobre o evento e o Bairro Jabotiana.
Entre os integrantes da
classe política, estiveram presentes o vereador Dr. Emerson, a deputada Ana
Lúcia e representantes do gabinete do deputado Francisco Gualberto. O deputado
Capitão Samuel cedeu o mini-trio que animou o evento.
A Prefeitura Municipal
de Aracaju apoiou a Caminhada com os batedores da SMTT, com a limpeza completa
das ruas e praças (Emsurb) enquanto a Secretaria Municipal da Saúde enviou
carros de som que divulgaram o evento, água mineral e camisetas. O Banese doou
bonés. A empresa Andrade Navegação e Despachos
doou as camisetas da Sociedade Jabotiana Viva.
Nosso movimento
contribuiu com a produção, impressão e divulgação do cartaz, distribuição de
panfletos nas residências e com o chamamento a diversos meios de comunicação
social.
E por falar nesses, agradecimentos
a todos os meios de comunicação que divulgaram ou noticiaram a 11ª Caminhada
Ecológica: o Jornal do Dia, a TV Sergipe, a TV Atalaia, a TV Cidade e o Portal
Infonet. Agradecimentos também a todos os amigos, muitos deles anônimos, que
fizeram “bombar” o cartaz e o texto de convocação por e-mail e nas redes
sociais.
A Caminhada foi
encerrada no largo da Praça Principal dos conjuntos Sol Nascente e JK, quando
todos os participantes cantaram o Hino Nacional. Em seguida, centenas de fotos
e de abraços e milhares de sorrisos. A missão daquele dia memorável estava
cumprida. Enquanto o sol brilhava forte no céu azul do último bairro verde de
Aracaju.
Mais de que nunca, o
refrão do Hino da Jabotiana, fez grande sentido:
“Quem
é esperto não se engana,
Cuida
da Jabotiana.
Quem
tem coração que ama,
Cuida
da Jabotiana.”
Veja algumas imagens
da Caminhada:
Alongamento e aquecimento na praça para enfrentar a
Caminhada
Ensinando a reciclar: ninguém segura essa turminha
Jabotiana Viva: - PRESENTE!
De mãos dadas defendendo o meio ambiente
Cruzando o canal, ao fundo o manguezal
Gente a perder de vista recebendo a brisa do manguezal do
Rio Poxim
Sobre a ponte: A beleza da garotada, o rio e o verde
Na reta final entre os Conjuntos Sol Nascente e JK
Cantando o Hino Nacional na praça
Créditos da fotos: Arquivo Jabotiana Viva
28 de outubro de 2012
11ª Caminhada Ecológica do Bairro Jabotiana: histórico e programação
O Bairro Jabotiana,
situado na Zona Oeste de Aracaju, é uma área peculiar da capital sergipana.
Possui um ambiente urbano convivendo com ocorrências naturais: o rio Poxim, as
lagoas do Areal e Doce, riachos tributários do Poxim, brejos, manguezais,
manchas de Mata Atlântica, além de pomares de jaqueiras e mangueira, além de
coqueirais.
Todas
essas ocorrências vêm sofrendo agressões de vários tipos: poluição de resíduos
líquidos e químicos nas águas, depósitos irregulares de lixo, retirada de areia
sem autorização dos órgãos ambientais, aterros e avanços da construção civil,
devastando as áreas verdes e avançando sobre os manguezais, provocando ainda a
impermeabilização do solo e o aumento do despejo de resíduos líquidos
(esgotos), fatores potencializadores de enchentes.
Mas
muitas pessoas do BJ não ficaram silenciosas e quietas diante de tanta
agressão. Há mais de 10 anos, profissionais técnicos e agentes de saúde da USF
“Manoel de Souza Pereira” elaboraram o Projeto “Construíndo uma Jabotiana
Saudável” com uma série de ações afirmativas e educativas visando contribuir
para o equilíbrio ambiental e consequentemente para a saúde dos moradores. A
Caminhada Ecológica é a culminância anual do Projeto, que é referência local e
nacional de ações de educação em saúde pública ambiental.
No dia
09 (sexta feira) de novembro, acontecerá a 11ª edição da Caminhada Ecológica
“Construindo uma Jabotiana Saudável”. Como de costume, a concentração será a
partir das 7h30 na rua 15 (ou Luiz Carlos Machado) do Conjunto Santa Lúcia, na
altura da praça da Igreja Católica. As 8h em ponto, terá início a Caminhada
percorrendo os seguintes logradouros: Avenidas Coronel Sizino da Rocha e Rio
Poxim. Ao cruzar a ponte, entrará na Avenida Cezartina Regis dos Conjuntos Sol
Nascente e JK, até o largo da Praça Principal, onde será encerrada com o canto
do Hino Nacional.
Todas as instituições públicas,
sociais e privadas do Bairro Jabotiana e adjacências estão convidadas, bem como
os moradores que não pertençam a nenhuma delas.
Nas semanas que antecedem o dia da
Caminhada, a equipe de coordenação do evento e do Projeto, formada por alguns
profissionais técnicos e agentes de saúde, além de alguns membros do Conselho Local
de Saúde, desenvolvem uma intensa programação, constando de palestras diárias e
exposição fotográfica das ações do projeto no salão de acolhimento da USF
“Manoel de Souza Pereira”, visitas às escolas públicas e particulares para
sensibilizar e convidar professores e alunos, contatos com veículos da
comunicação social, distribuição do cartaz promocional, panfletagem de convites
nos domicílios, anúncios com carro de som, entre outras.
A Sociedade Jabotiana Viva
participará da 11ª Caminhada, com seus diretores, sócios e simpatizantes,
empunhando a Bandeira de Sergipe e conduzindo uma faixa com a seguinte
inscrição: “PAREM DE DESTRUIR O VERDE E AS ÁGUAS DO BAIRRO JABOTIANA”. Um
protesto aos crimes e agressões ambientais às ocorrências naturais do “ultimo
bairro verde de Aracaju”.
A Caminhada Ecológica do Bairro
Jabotiana é a única realizada em um bairro de Aracaju a mais de uma década.
Esperamos que outros bairros se inspirem em nós e também promovam ações
semelhantes.
5 de outubro de 2012
A votação do uso do solo urbano na Câmara Municipal de Aracaju: implicações para o Bairro Jabotiana
A
emenda 1/2012, que sugeria a inclusão do limite de até três no índice de
aproveitamento do solo urbano no município de Aracaju, na Lei Orgânica/LO foi
rejeitada na sessão de 16 de agosto. Apenas quatro vereadores votaram a favor,
enquanto 13 votaram contra (ver quadro ilustrativo acima, produzido pelo Fórum
de Defesa da Grande Aracaju/FDGA). A emenda foi sugerida pelo vereador Dr.
Emerson (PT) e Bertulino Meneses (PSD) e apoiada pelos vereadores Moritos Matos
(PDT) e Nitinho (DEM).
Os vereadores que votaram a favor
argumentaram que o objetivo da emenda na LO é o conforto da população, porque
certos empreendimentos que não levam em conta a urbanização sustentável
influenciam na baixa qualidade de vida dos moradores da capital.
Os que votaram contra, defendem que
os valores dos terrenos e dos imóveis irão subir dificultando o acesso à casa
própria por parte das pessoas mais carentes.
Entretanto, as zonas da cidade onde
se localizam os bairros onde habita a população de baixa renda, prevalecem o
índice um, por já serem áreas densamente ocupadas.
Quanto menor o índice de
aproveitamento do solo urbano, mais elevada será a quantidade de domicílios numa
área determinada. Exemplo: maior número de apartamentos em um espaço menor do
terreno. Quanto mais apartamentos, mais vendas, mais lucro das construtoras e
imobiliárias.
Percebe-se que tanto os que votaram
a favor quanto os que votaram contra o índice três de aproveitamento do solo
urbano de Aracaju são de partidos que apóiam e que fazem oposição o governo
municipal. Ou seja, parlamentares do mesmo partido votaram uns ao oposto dos
outros, demonstrando compromissos divergentes no interior das siglas
partidárias.
Segundo dirigentes do FDGA, o interesse que
levou 13 vereadores a rejeitarem o índice três foi estritamente econômico: “a
pressão do mercado imobiliário em época de campanha eleitoral. É a lógica do
mercado, sem nenhuma sensibilidade ambiental”.
Observando o comportamento dos parlamentares
nas votações sobre o solo urbano de Aracaju, percebe-se claramente que a grande
maioria não aprova nada que contrarie os interesses daquele setor tão poderoso.
E o placar é sempre de 14 X 4. Uma verdadeira “tropa de choque”.
Grande número de moradias em um
espaço pequeno significa mais agressão ao ambiente e consequentemente às
pessoas.
Diante desta atitude política dos “representantes
do povo”, os moradores do Bairro Jabotiana, na Zona Oeste da cidade, que sofre
desde 2007 um vertiginoso crescimento imobiliário e demográfico, assistem a uma
dinâmica de expansão devastadora, oposta a tudo que possa ser chamado de
sustentável do pondo de vista ambiental e social: a multiplicação sem limites
do número de domicílios implica em mais resíduos líquidos (esgoto) despejados
no rio Poxim, maior produção de lixo, intensificação do trânsito
(congestionamentos, acidentes, poluição sonora e do ar), mais impermeabilidade
do solo e mais enchentes, além do isolamento das pessoas e a perda gradativa da
convivência comunitária, tão característica naquela área.
Nesta eleição municipal que se aproxima, é
fundamental que o eleitor tenha a compreensão clara da importância do seu voto
como fator decisivo para o futuro de sua cidade e de seu bairro.
Trânsito
congestionado na Av. Cesartina Régis (Sol Nascente/B. Jabotiana) em set. 2012:
consequência do crescimento imobiliário desordenado
Arquivo: Sociedade
Jabotiana Viva
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